Na cozinha deixei cair um livro pesado. O bebé brincava e agora olha-me assustado. Olhos enormes azuis espelham medo. Estático, sentado, observa-me durante uns segundos. Gatinha ao meu encontro. Parece dizer: pega-me rapidamente. Trepa as minhas pernas e estica os braços. Choraminga e depois grita. Não lhe posso pegar. Falta-me espaço nos braços e nas mãos. Tento cantarolar uma melodia conhecida para ver se o acalmo. “olhá bola Manel, olha a bola Manel, foi-se embora fugiu….” Não resultou. Chora compulsivamente. Rendo-me à sua inquietação e pouso os livros em cima da mesa. Pego-lhe. Levanto-o sobre a minha cabeça onde permanece assim uns segundos. Caiu-me uma lagrimazinha salgada no canto do meu lábio.
O bebé já não chora; sorri. Há uma quantidade infindável de brinquedos espalhados pelo chão. Cores que se misturam e que chocam entre si. O objecto preferido é um parte-noz, de madeira de tamanho pequeno, sem nada que chame a atenção. Talvez por não ser brinquedo e por lhe ser retirado muitas vezes das mãos. O bebé brinca agora sossegado.
Calmo, palra e sorri.
ML
20.1.05
Composição ex. 12
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8 comentários:
engraçado (ou não) também eu sorri... :)
:)
gostei... bastante
gostei. desperta mesmo um sorriso :)
acrescento mais um sorriso... =)
Força aí com esses desafios, meu.
E eu uma certa emoção que só o cotidiano na sua poética é capaz de me provocar! Lindo!
Cotidiano????
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