6.1.05

Composição Ex. 9 - Finalmente Paz

Quis o destino que o teu olhar se cruzasse com o meu um dia. Quis o destino que por ti morresse.
Leveza mental é o que estou à espera de receber assim que chegar ao destino que me espera. Leveza essa que até aqui julguei impossível, pelo abandono a que me habituaste. Acto cruel esse de querer e não querer, de dizer e desdizer de procurar e ir embora…assim…sem pensares no mal eterno a que me condenaste. Chega de me martirizar por tudo aquilo que tentei fazer e procurar sem resposta. Chega de esperar por ti. Chega de jogos supersticiosos para ver quando te terei, brincadeiras só compreensíveis na infância que estupidamente trouxe para os meus trinta e três a fim de me tentar convencer que te vou ter um dia. Chega de pensar que poderás ter alguém que preferiste colocar no meu lugar. Chega de lágrimas.
Como o meu coração pôde aguentar este inferno durante meses, não sei.
Vou voar com as maiores asas do mundo, para longe.
Prometeste-me a lua, o sol, o universo e de repente tiraste-me inclusivamente o ar que preciso para sobreviver. Como dói a ansiedade… Agora sim, o meu lugar chegou entretanto. Vou arrancar de mim este desassossego cruel a que me obrigaste. Terei aquilo que toda a gente espera um dia ter: a calma, o bem-estar, o orgasmo celestial.
De culpa nunca hás-de sofrer. Não te hás-de combalir por te teres visto livre de mim. Sentirás até alívio.
Começaste. Sabes bem que não queria, não estava preparada. Tornaste o mundo do avesso para me teres e conseguiste. Quando me comecei a apaixonar, fugiste, mentiste, ocultaste, ausentaste-te. Fui a tal água cristalina que não quiseste beber. Agora terás também o teu descanso. Serás a única pessoa a carregar com o peso deste meu acto.
Se quiseres vai. Vou estar no sítio onde nos encontrámos pela primeira vez. O portão que estava fechado nesse dia, continua assim. Salta-o e procura a figueira mais alta. Estou lá. Corre porque ainda há qualquer coisa no bolso direito do meu casaco preto, para ti. É teu, se quiseres guarda, como fazias com tudo o que encontravas. É a pedrinha da sorte que apanhaste na praia um dia e me entregaste dizendo que era a nossa pedra. Cola-a no teu diário e recorda-me se quiseres.

M.L

1 comentário:

Anónimo disse...

Esta mesmo lindo o texto, talvez por me identificar um pouco com ele. Senti-o tal e qual como se fosse escrito por mim.

Gostei mesmo ! Beijinho *