Na cozinha deixei cair um livro pesado. O bebé brincava e agora olha-me assustado. Olhos enormes azuis espelham medo. Estático, sentado, observa-me durante uns segundos. Gatinha ao meu encontro. Parece dizer: pega-me rapidamente. Trepa as minhas pernas e estica os braços. Choraminga e depois grita. Não lhe posso pegar. Falta-me espaço nos braços e nas mãos. Tento cantarolar uma melodia conhecida para ver se o acalmo. “olhá bola Manel, olha a bola Manel, foi-se embora fugiu….” Não resultou. Chora compulsivamente. Rendo-me à sua inquietação e pouso os livros em cima da mesa. Pego-lhe. Levanto-o sobre a minha cabeça onde permanece assim uns segundos. Caiu-me uma lagrimazinha salgada no canto do meu lábio.
O bebé já não chora; sorri. Há uma quantidade infindável de brinquedos espalhados pelo chão. Cores que se misturam e que chocam entre si. O objecto preferido é um parte-noz, de madeira de tamanho pequeno, sem nada que chame a atenção. Talvez por não ser brinquedo e por lhe ser retirado muitas vezes das mãos. O bebé brinca agora sossegado.
Calmo, palra e sorri.
ML
20.1.05
17.1.05
Composição Ex. 11 - Revelação
Manhã. Exercício de escrita: crianças num parque infantil.
Fotografia: uma criança em cima do escorrega, parada, sentada, as pernas na rampa. Não pode escorregar, iria aleijar outra que já desceu e está sentada na saída a apertar um sapato. Mais duas crianças, estas num baloiço de tábua apoiada num eixo central. Cena idêntica: uma em cima, outra em baixo. A criança mais forte senta-se quase no chão, na sua extremidade da tábua, de saias. A outra está suspensa, calma, olha para o escorrega. Apenas no baloiço suspenso duma trave o movimento não pára, é uma quinta criança. Este e os dois primeiros, aqueles; aquelas, as segundas.
Noite. Observo a foto digital; vou revelar, foi hoje.
A.M.
Blogue: Converto Textos
Fotografia: uma criança em cima do escorrega, parada, sentada, as pernas na rampa. Não pode escorregar, iria aleijar outra que já desceu e está sentada na saída a apertar um sapato. Mais duas crianças, estas num baloiço de tábua apoiada num eixo central. Cena idêntica: uma em cima, outra em baixo. A criança mais forte senta-se quase no chão, na sua extremidade da tábua, de saias. A outra está suspensa, calma, olha para o escorrega. Apenas no baloiço suspenso duma trave o movimento não pára, é uma quinta criança. Este e os dois primeiros, aqueles; aquelas, as segundas.
Noite. Observo a foto digital; vou revelar, foi hoje.
A.M.
Blogue: Converto Textos
Defeitos
Um defeito de fabrico fez com que o post do último exercício não tivesse sido colocado online na última quinta-feira. É um defeito que, embora já esteja identificado há muito tempo, ainda não foi solucionado nem colocada nenhuma actualização de sistema que o possa solucionar. De facto, na quarta-feira, coloquei o enunciado do exercício 11 no blogue, gravei como draft e, a quinta-feira, algum vírus mal intencionado no meu organismo deu indicação ao cérebro de que o enunciado já estaria disponível. Estive, até ontem, perfeitamente convencido de que o exercício estava disponível. Felizmente que a M.L., sempre atenta, me alertou para esta situação. De futuro, que todos nós funcionemos como um antibiótico na caça e destruição destas viroses que por vezes surgem no ser humano.
N.C.
N.C.
16.1.05
Exercício 11 - Crianças em Acção
Material necessário:
Papel
Caneta
Parque Infantil ou outro local com crianças a brincar
Exercício:
Trata-se de um exercício de observação e de uma escrita seca, desprovida de adornos.
Está proibida a utilização de adjectivos e metáforas ou outras figuras de estilo.
Pretende-se, apenas, que descrevas acções, em frases curtas e dando privilégio, obviamente, aos verbos.
Se "a criança de olhos azuis e bibe às risquinhas desce, reguila e risonha, o escorrega", deverás escrever qualquer coisa do tipo: "Criança sobe escadas do escorrega. E ri. E desce o escorrega. E ri."
in, desafio: escrever
Papel
Caneta
Parque Infantil ou outro local com crianças a brincar
Exercício:
Trata-se de um exercício de observação e de uma escrita seca, desprovida de adornos.
Está proibida a utilização de adjectivos e metáforas ou outras figuras de estilo.
Pretende-se, apenas, que descrevas acções, em frases curtas e dando privilégio, obviamente, aos verbos.
Se "a criança de olhos azuis e bibe às risquinhas desce, reguila e risonha, o escorrega", deverás escrever qualquer coisa do tipo: "Criança sobe escadas do escorrega. E ri. E desce o escorrega. E ri."
in, desafio: escrever
13.1.05
Ainda o exercício 9
A Assim Mesmo decidiu terminar a carta e colocou o texto no blogue.
Está lançado o desafio: ler razão possível no Converto Textos.
Nuno
Está lançado o desafio: ler razão possível no Converto Textos.
Nuno
12.1.05
Novo exercício
Amanhã será colocado o próximo desafio.
A partir de agora, os desafios serão colocados no blogue à quinta-feira. As composições deverão estar concluídas até à quarta-feira seguinte e serão colocadas no blogue quando chegarem ao email ou aos comentários.
Escrevam!
A partir de agora, os desafios serão colocados no blogue à quinta-feira. As composições deverão estar concluídas até à quarta-feira seguinte e serão colocadas no blogue quando chegarem ao email ou aos comentários.
Escrevam!
Composição Ex. 10 - M.L
Sufoco por não te ter.Impossível viver sem a magia do teu amor. Resolvi partir.
M.L.
M.L.
Composição Ex. 10 - Nuno
Deixaste-me fora de mim com as tuas atitudes. Resolvi partir. Cheguei. Finalmente fora de ti.
N.C.
N.C.
11.1.05
Compsição Ex. 10 - Assim Mesmo
Há experiências que temos de vencer sozinhos, esta é uma delas: o exílio, desculpa-me...
Assim
A.M.
Blogue: Converto Textos
Assim
A.M.
Blogue: Converto Textos
Composição Ex. 10 - Frederico
Amor tinhas razão. Chegou a altura dos ramos crescerem para luzes diferentes. Amo-te ainda mais!
F.N.
Blogue: Sangue das Palavras Puras
F.N.
Blogue: Sangue das Palavras Puras
10.1.05
Composição Ex.10 - Leonor
Por nos complementarmos é que preciso partir. Tu és o sol e eu a lua. Podemos existir no mesmo universo, mas nunca juntos.
L.
Blogue: Zoóide
L.
Blogue: Zoóide
Exercício 10
Recebemos participações para o exercício 10. Vamos começar a colocá-las no blogue.
Obrigado Leonor e Frederico.
Podem continuar a enviar para o email ou através dos comentários.
Obrigado Leonor e Frederico.
Podem continuar a enviar para o email ou através dos comentários.
7.1.05
Exercício 10 - Telegrama
Material necessário:
Papel
Caneta
Exercício:
O contexto é o mesmo do exercício anterior, Carta de Despedida.
A diferença é que, agora, tudo se precipitou e não houve tempo para uma longa carta de despedida.
Chagado ao destino, envias um telegrama com explicações.
O telegrama deverá ter no máximo 15 palavras.
in, desafio: escrever
Papel
Caneta
Exercício:
O contexto é o mesmo do exercício anterior, Carta de Despedida.
A diferença é que, agora, tudo se precipitou e não houve tempo para uma longa carta de despedida.
Chagado ao destino, envias um telegrama com explicações.
O telegrama deverá ter no máximo 15 palavras.
in, desafio: escrever
6.1.05
Composição Ex. 9 - Finalmente Paz
Quis o destino que o teu olhar se cruzasse com o meu um dia. Quis o destino que por ti morresse.
Leveza mental é o que estou à espera de receber assim que chegar ao destino que me espera. Leveza essa que até aqui julguei impossível, pelo abandono a que me habituaste. Acto cruel esse de querer e não querer, de dizer e desdizer de procurar e ir embora…assim…sem pensares no mal eterno a que me condenaste. Chega de me martirizar por tudo aquilo que tentei fazer e procurar sem resposta. Chega de esperar por ti. Chega de jogos supersticiosos para ver quando te terei, brincadeiras só compreensíveis na infância que estupidamente trouxe para os meus trinta e três a fim de me tentar convencer que te vou ter um dia. Chega de pensar que poderás ter alguém que preferiste colocar no meu lugar. Chega de lágrimas.
Como o meu coração pôde aguentar este inferno durante meses, não sei.
Vou voar com as maiores asas do mundo, para longe.
Prometeste-me a lua, o sol, o universo e de repente tiraste-me inclusivamente o ar que preciso para sobreviver. Como dói a ansiedade… Agora sim, o meu lugar chegou entretanto. Vou arrancar de mim este desassossego cruel a que me obrigaste. Terei aquilo que toda a gente espera um dia ter: a calma, o bem-estar, o orgasmo celestial.
De culpa nunca hás-de sofrer. Não te hás-de combalir por te teres visto livre de mim. Sentirás até alívio.
Começaste. Sabes bem que não queria, não estava preparada. Tornaste o mundo do avesso para me teres e conseguiste. Quando me comecei a apaixonar, fugiste, mentiste, ocultaste, ausentaste-te. Fui a tal água cristalina que não quiseste beber. Agora terás também o teu descanso. Serás a única pessoa a carregar com o peso deste meu acto.
Se quiseres vai. Vou estar no sítio onde nos encontrámos pela primeira vez. O portão que estava fechado nesse dia, continua assim. Salta-o e procura a figueira mais alta. Estou lá. Corre porque ainda há qualquer coisa no bolso direito do meu casaco preto, para ti. É teu, se quiseres guarda, como fazias com tudo o que encontravas. É a pedrinha da sorte que apanhaste na praia um dia e me entregaste dizendo que era a nossa pedra. Cola-a no teu diário e recorda-me se quiseres.
M.L
Leveza mental é o que estou à espera de receber assim que chegar ao destino que me espera. Leveza essa que até aqui julguei impossível, pelo abandono a que me habituaste. Acto cruel esse de querer e não querer, de dizer e desdizer de procurar e ir embora…assim…sem pensares no mal eterno a que me condenaste. Chega de me martirizar por tudo aquilo que tentei fazer e procurar sem resposta. Chega de esperar por ti. Chega de jogos supersticiosos para ver quando te terei, brincadeiras só compreensíveis na infância que estupidamente trouxe para os meus trinta e três a fim de me tentar convencer que te vou ter um dia. Chega de pensar que poderás ter alguém que preferiste colocar no meu lugar. Chega de lágrimas.
Como o meu coração pôde aguentar este inferno durante meses, não sei.
Vou voar com as maiores asas do mundo, para longe.
Prometeste-me a lua, o sol, o universo e de repente tiraste-me inclusivamente o ar que preciso para sobreviver. Como dói a ansiedade… Agora sim, o meu lugar chegou entretanto. Vou arrancar de mim este desassossego cruel a que me obrigaste. Terei aquilo que toda a gente espera um dia ter: a calma, o bem-estar, o orgasmo celestial.
De culpa nunca hás-de sofrer. Não te hás-de combalir por te teres visto livre de mim. Sentirás até alívio.
Começaste. Sabes bem que não queria, não estava preparada. Tornaste o mundo do avesso para me teres e conseguiste. Quando me comecei a apaixonar, fugiste, mentiste, ocultaste, ausentaste-te. Fui a tal água cristalina que não quiseste beber. Agora terás também o teu descanso. Serás a única pessoa a carregar com o peso deste meu acto.
Se quiseres vai. Vou estar no sítio onde nos encontrámos pela primeira vez. O portão que estava fechado nesse dia, continua assim. Salta-o e procura a figueira mais alta. Estou lá. Corre porque ainda há qualquer coisa no bolso direito do meu casaco preto, para ti. É teu, se quiseres guarda, como fazias com tudo o que encontravas. É a pedrinha da sorte que apanhaste na praia um dia e me entregaste dizendo que era a nossa pedra. Cola-a no teu diário e recorda-me se quiseres.
M.L
Composição Ex. 9 - Outro caminho
Princesa,
Infelizmente não existia outra forma de te poder dizer isto e, agora que escrevo, só desejo que tenhas oportunidade de ler. A vida surge-nos tão inconsequente ao longo de tantos dias que acabamos por viver como se não houvesse amanhã. Na maior parte dos dias o Sol nasce e há, de facto, amanhã, mas chega sempre a noite mais longa. A minha surge hoje.
Nunca quis ninguém como te tive nos braços. Nunca tive ninguém como te quis em mim. Talvez tivesse desejado demasiado ou com alento a menos. Era um desejo velado sem forças para crescer.
Por isso, sigo em frente.
Nesta estrada em que estou és a única que me acompanha, mas é chegada a altura de nos separarmos. Não te consigo acompanhar. Não consigo vibrar com os pássaros. Não consigo chorar com o mar. Não consigo sorrir com o céu nem olhar para o horizonte.
Por isso, sigo em frente.
Tudo acaba por fenecer para surgir noutro lado, de outra forma. Estou aqui e estarei contigo sempre, até sempre.
Pai
N.C.
Infelizmente não existia outra forma de te poder dizer isto e, agora que escrevo, só desejo que tenhas oportunidade de ler. A vida surge-nos tão inconsequente ao longo de tantos dias que acabamos por viver como se não houvesse amanhã. Na maior parte dos dias o Sol nasce e há, de facto, amanhã, mas chega sempre a noite mais longa. A minha surge hoje.
Nunca quis ninguém como te tive nos braços. Nunca tive ninguém como te quis em mim. Talvez tivesse desejado demasiado ou com alento a menos. Era um desejo velado sem forças para crescer.
Por isso, sigo em frente.
Nesta estrada em que estou és a única que me acompanha, mas é chegada a altura de nos separarmos. Não te consigo acompanhar. Não consigo vibrar com os pássaros. Não consigo chorar com o mar. Não consigo sorrir com o céu nem olhar para o horizonte.
Por isso, sigo em frente.
Tudo acaba por fenecer para surgir noutro lado, de outra forma. Estou aqui e estarei contigo sempre, até sempre.
Pai
N.C.
22.12.04
Exercício 9 - Carta de Despedida
Material necessário:
Papel
Caneta
Inspiração:
Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse acto desesperado.
Exercício:
Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.
in, desafio: escrever
Papel
Caneta
Inspiração:
Há alguém que decide partir, depois de uma difícil e longa reflexão, mas deseja explicar ao que fica todas as razões que o levaram a esse acto desesperado.
Exercício:
Tu és aquele que parte e que deixa uma longa carta de despedida com todas as explicações àquele que fica.
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