30.11.04

Exercício 3 - Ouvidos à Escuta

Material necessário:
Papel
Caneta
Espaço confortável onde sentar ou deitar
Música de fundo (clássica, fado, bossa nova, por exemplo)

Exercício:
Fundamental neste exercício é sentires-te confortável e descontraído.

Põe uma música à tua escolha.
Absorve-a pelos ouvidos e através da pele.
Vai escrevendo o que quer que a música te surgira.
Podes repetir este exercício com diferentes tipos de música.

in, desafio: escrever

Composição Ex. 2 – A Fotografia

Em cima da mesa quadrada está deixada à solta (talvez tivesse caído do album), uma fotografia 10x15 que me fez logo estremecer. Quando a adrenalina finalmente deixou de se fazer sentir no meu corpo sento-me lentamente no sofá segurando-a com as duas mãos e volto atrás no tempo como se se tratasse de uma película de filme. Fixo um ponto na parede e o meu pensamento voou a muitos quilómetros daqui….

Goa 10 de Março de 2003. Praia de Palolem onde o pôr-do-sol é considerado o mais bonito do mundo. Registámo-lo para sempre através de uma fotografia. Estou sentada num rochedo negro que contrastava com a límpida areia branca, o céu, por trás tornou-se vermelho, como registo de um dia quente e húmido de verão tropical. A minha pele está notoriamente bronzeada e saudável, e os meus olhos brilhantes pareciam a enorme bola de fogo que se escondia por trás do Índico. Lembro-me que dispararam centenas de flashes em catadupa. Esta gargalhada espontânea (quase que a oiço) deixou de existir há muito tempo e bonita que era. Estava feliz, disso não há a mais pequena dúvida. Este momento tinha sido registado minutos antes de um jantar numa rústica esplanada de praia à luz de velhos archotes, em frente ao mar que espelhava a grande lua.

Lisboa, 29 de Novembro de 2004. Levo comigo a fotografia para o meu quarto. Antes de guardá-la religiosamente, torno a olhá-la, mas as lágrimas desfocaram-me a beleza do momento. Sinto apenas a nostalgia do passado e saudades de um futuro assim.

M. L.

Composição Ex. 2 – Orgasmatron

É de cobre. É de cor acobreada. Se fosse dourado teria, feito garimpeiro, mordido um pouco para me certificar de que era verdadeiramente ouro. Com o cobre não me parece que funcione.
Sempre em sobre tem, no topo, um cabo para agarrar com a mão e que tem dez centímetros de comprimento e um centímetro de espessura. O objecto tem dez pernas com dois milímetros de espessura e um palmo de comprimento. As pernas, que estão presas ao cabo, estão equidistantes umas das outras. Cada uma das pernas começa por sair perpendicularmente ao cabo e, a partir dos cinco centímetros, começa a dobrar-se de forma a que no final, as extremidades de todas elas, formem um circulo de sete centímetros de diâmetro. Na extremidade de cada uma das pernas uma pequena bola estilo cabeça de alfinete. O objectivo é não arranhar. O efeito é uma massagem de outro mundo.

N.C.

Ei-lo!
(http://www.orgasmatron.com.au/index2.html)


26.11.04

Exercício 2 - De Olhos Bem Abertos

Material necessário:
Papel
Caneta

Exercício:
Abre os olhos.
Bem abertos.
Fixa, no meio dos objectos que tens por perto, aquele que te chama mais a atenção, seja qual for a razão.
Agora vais descrevê-lo minuciosamente para um invisual por forma a que, mesmo para ele, o objecto se torne visível.


in, desafio: escrever

Composição Ex. 1 - escuro

Fecho os olhos.
Como a venda não é suficientemente opaca dou rapidamente por mim a abri-los novamente. Desligo as luzes. De início, certo de estar rodeado de escuridão total, insisto em continuar a ver focos de luminosidade. Tal não é importante, pois os cinco minutos iniciais servirão para que me consiga adaptar ao meu novo estado. A decisão de limitar o uso de um dos sentidos far-me-á concentrar com especial atenção nos restantes. O ser humano na perda de um ou mais sentidos fica com os restantes muito mais apurados. Em cinco minutos é algo que não espero que aconteça, mas desde pequeno que desejei ouvir mais longe, ver com as mãos, distinguir cheiros e sabores que poucas pessoas conseguiriam reconhecer. Mas claro, nunca desejei deixar de ver para o conseguir.

Abro os olhos.
Continuo sem ver um palmo à minha frente, mas imagino o carro que passa e, por instantes, é como se o visse, por instantes, é como se eu próprio fosse transportado dentro dele. Vou sempre em frente, pois é difícil fazer as curvas de olhos vendados. Subo e desço as colinas que se atravessam à minha frente e passo pelo meio de pinhais. Sinto-lhes o cheiro. E continuo, sempre sozinho. Não é fácil ter alguém que aceite ser conduzido por um cego, mesmo que se decida seguir sempre em frente. O terreno é acidentado e, receoso do que possa acontecer, tiro a venda que me tapa os olhos. À minha frente não vejo estrada e ao meu lado está alguém que conduz o meu carro.

Decido dar por terminado o exercício.
Abro os olhos.
Ligo as luzes.
Para mim, pior que ter os olhos fechados e não conseguir ver é abri-los e continuar no escuro.

N.C.

Composição Ex. 1 - sensorial

O meu primeiro exercício de escrita, num blog! O peso de ser o primeiro, para alem de estar de olhos fechados e às escuras. De repente senti-me de novo na primeira classe. Insegura e ter que enfrentar uma pequena multidão. Tal como agora:tudo se passava em torno do meu pequeno e grande mundo. Este é sem dúvida um universo que mal conheço mas que tem uma dimensão para lá da minha imaginação. E agora, de olhos fechados, na paz do meu quarto, decido escrevinhar umas linhas que nem eu própria sei se as vou conseguir decifrar, pois escrever de olhos fechados não é coisa q se faça todos os dias. Decido começar este desafio no meu quarto por ser o único lugar onde poderei experimentar todas as sensações que me apetecer sem ser interrompida. Aqui partilho comigo o dia: as gargalhadas, as lembranças, o meu humor, a dor, pormenores. No escuro do meu quarto sinto um som pouco agradável que não consigo traduzir para o papel. Talvez seja o som do silêncio. Um som agudo que me trespassa o ouvido e que só vai passar quando mergulhar no meu sono. Apesar disso sinto paz, quase celestial. De olhos fechados, o único desconforto é não ter a percepção do fim da folha o que me leva a pensar que a qualquer momento manche o lençol de algodão que me tapa o corpo. O relógio da sala acabou de tocar, veio quebrar por segundos o tal zumbido irritante presente no meu silêncio. Também o ruído do aquecedor a ligar veio desviar a minha paz. Antes de me deitar passei um creme de pés, da body shop, nas mãos (o que estava ao alcance). Cheira levemente a ervas. E é esse o aroma que inalo enquanto a caneta borra o lençol, o som do aquecedor abafa o som do meu silêncio depois do relógio ter badalado as horas que entendeu. Acendo agora a luz do abajour, à minha direita e surpreendo-me ao ver as linhas todas tortas, letras por cima umas das outras e uma pequena mancha verde no meu lençol. Cerro o lábio inferior com os dentes...e sorrio.

M.L.

25.11.04

Amanhã

As composições resultantes do primeiro exercício serão colocadas no blogue já amanhã.

23.11.04

Exercício 1 - De Olhos Bem Fechados

Material necessário:
Papel
Caneta
Venda para os Olhos

Exercício:
Venda os olhos.
Não espreites.
Sente o Escuro à tua volta.
Apercebe-te dos sons, e das texturas que tens ao alcance das mãos.
Agora escreve, de olhos bem fechados, aquilo que te apetecer.


in, desafio: escrever

22.11.04

À laia de introdução

Duas pessoas aceitaram o desafio de escrever neste blogue.

Daqui para a frente, a palavra é delas.

As regras são simples.

A cada terça-feira um novo exercício de escrita é proposto. Na sexta-feira seguinte a interpretação de cada um é colocada no blogue e, nesse mesmo dia, novo exercício de escrita é proposto. Na terça-feira seguinte a interpretação de cada um é colocada no blogue e, nesse mesmo dia, novo exercício de escrita é proposto. Nos entretantos, cada um escreve o que quiser, ou conseguir.

21.11.04

Liberdade de criação: Criatividade em Estado Bruto

Os próximos exercícios terão como objectivo despertar o instinto, o "impulso criador, a partir de sentimentos básicos do ser humano - confiança, medo, entusiasmo".

desafio: escrever - O Livro

Ha uns meses foi editado pela Coolbooks um livro chamado desafio: escrever.

O livro da Marta Tê é mais do que um livro em branco para podermos escrever, é uma viagem. Uma viagem pelo mundo da escrita, uma viagem por estradas que muitos de nós nunca trilhámos, uma viagem com inumeros obstáculos, mas que, ao longo do seu percurso, nos faz crescer. Eu não sou a Marta Tê e, talvez por isso, decidi fazer a viagem que ela propõe. Espero que ela não se importe por eu a partilhar convosco.

Introdução

Existem cursos, palestras, livros, mas, acima de tudo, para escrever um livro, tem de haver vontade.

Pode haver mais ou menos talento, mas, se o objectivo de vida não for ser reconhecido como o "Camões ressuscitado", como o "Pessoa do Século XXI", nem ser objecto dos mais extraordinários elogios, é possível escrever um livro. O nosso livro.

Pelos livros que já li, até eu acredito que possa escrever um livro.

Começo aqui, a exercitar.